sábado, 15 de agosto de 2009

O presente de Devon


Phillip, Andrea e Judas saíram juntos pelo glorioso jardim da mansão de Hilary Dickson, a caminho dos dormitórios do Instituto HD.
- Tchau, pessoas! – disse a diretora, na varanda de sua casa, de um modo mais jovial e amigável do que todos estavam acostumados ou esperavam. Lá de cima, ela parecia um anjo acenando diretamente do céu.
- Tchau, diretora. – responderam eles enquanto saíam.

- Phillip, eu te amo! – alguma garota histérica se fez ouvir entre os alunos.
Era Sydney, com seus cabelos vermelhos, e sua voz rouca.
- Phillip Bristtow! – ela berrava sozinha. – Ele nos salvou! Vocês não veem?
- Você agora é famoso, meu irmão. - comentou Judas Trapaceiro, sorrindo tímido.
- Ainda sou Phillip Bristtow.
- Fique quieta, Sydney, ele não gosta disso. – Devon a aconselhou. E sorriu suavemente para Phillip enquanto ele passava.
Phillip retribuiu o sorriso, mas gostaria de ter dado um abraço também. Lembrou a si mesmo, mais uma vez, que Devon só queria ajudar, e ainda havia o presente. Não deveria tê-lo julgado. Havia cometido um erro.
Dimitri estava na forma humana, esperando por eles no meio do jardim que levava aos dormitórios, em seu habitual cardigã preto.
- Vocês estão se sentindo bem, né?
- Muito bem - respondeu Phillip. - Obrigado pelo Guaraná do Amazonas e pelas dicas, Dimitri.
- Ah, de nada, cara.
- Acho que vou passar o fim de semana na Noruega – sugeriu Andrea, e Dimitri jamais recusaria a ideia.
Ainda no jardim, Miguel Armstrong apareceu. Com seus olhos cor de mel e sua barba por fazer, ainda parecendo triste com a ausência de Phillip. É claro que ver o seu garoto ali, bem e em paz, o confortava, mas Miguel não poderia deixar de sentir falta das longas conversas com seu filho. Atrás dele, achava-se Jean e Harrison, que pareciam saber de tudo que havia acontecido.
- Você deve ser o pai do Phillip! - falou Dimitri.
- Por assim dizer - respondeu Miguel – Venha cá, Phillip, me dê logo um abraço, por favor. - E o abraçou.
O elfo conversou com seus amigos, mas eles logo tiveram que partir no carro do Dr. Armstrong, que continuava a cuidar do Orfanato São Miguel, sendo o pai de todos aqueles adolescentes.
Nesse momento, o pôr-do-sol estava cinzento, e as árvores balançavam suas folhas verdes em uma dança fria e silenciosa. A brisa de um fim de tarde verde e cinzento.

Phillip seguiu com Andrea, Judas e Dimitri em frente à escadaria que levava aos dormitórios, quando seu celular começou a tocar. Andrea olhou espantada.
- E você tem celular? - A brisa gelada esvoaçando seus cachos dourados.
- Devon me deu, mas quem poderia me ligar uma hora dessas? – perguntou, e todos ao redor sentiram no ar que alguma coisa mágica, e muito especial, estava para acontecer. – Será que é ele, ou ele já deu meu número a alguém? – E colocou o celular junto ao ouvido.

- Alô? – A voz do outro lado era inconfundível. Phillip a reconheceu instantaneamente. Ele reconheceria aquela voz em qualquer lugar, não importava quanto tempo tivesse passado. Era uma voz grossa e doce, muito parecida com a sua.
Ele tinha certeza de que sabia com quem estava falando.
- Arthur? – Foi a única coisa que conseguiu pronunciar. E sorrindo consternado, amou o triskelion de gelo.



FIM
da primeira aventura...

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